Uma das pioneiras na Advocacia e na defesa criminal, é entrevistada pela diretora Ana Elisa Bechara
O Projeto Memórias, uma parceria da Fundação Arcadas com a Faculdade de Direito da USP, alcança uma nova etapa para preservar o conhecimento daquelas(es) que contribuíram e continuam a contribuir com a construção do sistema jurídico brasileiro. As(os) protagonistas, agora, são antigas(os) alunas(os) cujo pertencimento com a Sempre Velha e Nova Academia de Direito é eterno.
E a primeira entrevistada deste ciclo é a advogada criminalista Maria José Gomes de Souza.
Formada com a Turma de 1954, uma pioneira entre as mulheres que romperam barreiras em um período que existia um domínio masculino na profissão, a jurista conta parte de sua trajetória em entrevista à diretora da FDUSP, professora Ana Elisa Bechara. Entre muitas questões precursoras, fala da coragem que teve ao exercer a advocacia diante de um mundo masculino.
No bate-papo explica o motivo pelo qual fez opção pelo Direito, bem como o período de estudos. À época, conta, as provas eram muito mais difíceis. “A aplicação do vestibular era feita aqui. Nós tínhamos professores exigentes e tivemos de fazer, por exemplo, prova escrita de latim. Faziam uma banca com diversos professores”.”
Ana Elisa lembrou que a primeira docente mulher, Esther de Figueiredo Ferraz, que ingressou em 1947, foi professora de Maria José. Questionada sobre como era o comportamento de Esther, a entrevistada ressaltou que ela era muito respeitada. “Ela foi um ícone para todos que aqui estudavam e muito querida”.”
Outro ponto destacado foi a excelência do ensino na FDUSP. “Aqui é diferente. A gente vai comemorar esses 200 anos de fundação da Faculdade. Isso demonstra que vale a pena todo o esforço de estudar aqui”, disse, observando que leu parte da história sobre a criação dos Cursos Jurídicos no Brasil, em 1827. “Foi tão curioso saber que alguns alunos vieram até de Coimbra (Portugal), para assistir aulas aqui”.”
Adiante, relatou o início da advocacia. Dentre algumas das passagens, rememorou uma audiência no Tribunal em que o fato de ser mulher, advogando, chamou atenção das pessoas que estavam no local. “Na porta, aquele povo olhando, querendo saber o que aconteceu. Estava eu fazendo audiência. Uma mulher advogando... A gente enfrentou tudo isso. Não imagina o tratamento que nos davam, principalmente delegados (defendeu muitos detidos). A gente já sentia uma discriminação pelo fato de ser mulher. Nos cartórios, também. Eles não achavam que a gente existia”.”
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Edição: Kaco Bovi
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