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A história do professor Emérito Celso Lafer está no Projeto Memórias

Entrevistado pelos docentes Nina Ranieri e Paulo Henrique Pereira, Lafer fala sobre o tempo da Faculdade, a atividade como docente, o período da ditadura e a vida pública

 

Celso Lafer. Somente o nome já resume a contribuição do Professor Emérito da Faculdade de Direito da USP para a Academia e para o País. Docente, advogado, professor, membro da Academia Brasileira de Letras e ex-ministro das Relações Exteriores e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil. Este são alguns (poucos) de seus méritos.

Para contar parte dessa história, foi entrevistado no Projeto Memórias (iniciativa da Fundação Arcadas, em parceria da SanFran) pelos professores Nina Ranieri e Paulo Henrique Pereira. No bate-papo, fala sobre o tempo da Faculdade, a atividade como docente, o período da ditadura e a vida pública.

Formado em Direito na FDUSP, Turma de 1964, fez doutorado (1970) em Ciência Política pela Universidade de Cornell, nos Estados Unidos (1970), livre-docência em Direito Internacional Público na FDUSP (1977).

Seguidor da filósofa Hannah Arendt, inicia a entrevista com uma frase dela em que diz que a memória não produz, mas descobre a identidade. “E para continuar com os com as referências, observa que o princípio é mais do que a metade e alcança o fim”. Isso tudo para ressaltar que a Faculdade sempre esteve presente dentro daquilo que era “o âmbito da minha família. Se eu sou eu, a minha circunstância, como diz Ortega (José Ortega y Gasset), a primeira circunstância é a própria família. Então, uma das figuras importantes de referência da minha família foi o Horácio Lafer (seu primo), que foi da turma de 1920. É uma turma ilustre, é a turma que Ruy Barbosa foi para com a célebre oração aos moços”, lembrou. A partir daí, foi destrinchando parte de sua vida familiar.

Para ele, um dos professores do primeiro ano que chamou atenção, foi Vicente Rao. “Agora, os três que me marcaram e que marcaram a minha carreira universitária foram os professores Marota Rangel, Gofredo da Silva Telles e Miguel Reale”.”

Sobre o golpe de 1964, assinalou: “Quando eu estava na faculdade, o Santiago Dantas deu uma conferência num evento do 11 de agosto sobre a política externa – que, aliás, é uma das motivações que me levou também à temática da política externa – E eu fiquei deslumbrado com esta inteligência invulgar”.”

Falou sobre Juscelino Kubitschek, que o inspirou para sua tese. “Quando eu voltei ao Brasil queria publicar essa tese, mas no período de 1970 era o auge da ditadura e eu não tinha como publicar. Então, eu publiquei na forma de artigos pedaços da tese, os pedaços mais técnicos”.”

Acerca da abertura democrática, as transformações importantes pelas quais passou o Brasil, ressaltou que foram anos muito densos, voltados à expectativa do término do regime militar e de uma transição democrática. “Procurei contribuir para isso na medida do possível, trabalhando com colegas, com amigos, e das figuras públicas com as quais eu tive convívio antes de chegar no Fernando Henrique”, disse, destacando Ulisses Guimaraes e o André Franco Montoro.

Por fim, ressaltou o protagonismo sobre o tema ambiental, na Rio 92, e sobre as atividades na FAPESP. “A FAPESP, entre as responsabilidades que eu estive, é uma instituição extraordinária, porque você está ajudando ao desenvolvimento do conhecimento em bolsas, em pesquisas de prazo mais curto, de prazo mais longo, e numa transversalidade completa”.”

 

Assista. Reverbere: https://www.youtube.com/watch?v=4gb_SsfNa0g&t=35s

 

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Projeto Memórias

O Projeto Memórias foi concebido em 2024 como uma parceria entre a Faculdade de Direito da USP e a Fundação Arcadas visando a preservar visualmente a história da Instituição por meio do depoimento de seus professores sêniores, que ajudaram no passado recente a alicerçar seu destaque no cenário jurídico-acadêmico, o que ocorre ao longo de quase dois séculos. O Projeto buscou também preservar certo grau de intergeracionalidade por intermédio dos entrevistadores, predominantemente docentes que hoje se encontram em plena atividade acadêmica.

O foco é conhecer melhor a relação de cada um desses docentes com a Faculdade, seja enquanto aluno, caso tenha sido, seja como professor de destaque dos cursos de Graduação e Pós-Graduação ministrados, e como gestor da Instituição, se isso tiver ocorrido. Por meio de seu depoimento busca-se identificar como era o ambiente acadêmico de sua época de aluno ou de docente, seus relacionamentos com os demais componentes da Faculdade, alunos, servidores e demais professores, e as relações pessoais daí decorrentes.

Os depoimentos dos docentes permitirão que a sociedade conheça um pouco mais da história recente desta Faculdade, que possui o destaque ímpar de ter tido dentre seus alunos 13 presidentes da República, o que é um legado à história brasileira. Além disso, muitas das teorias jurídicas disseminadas no Brasil tiveram sua gênese nesta vetusta Academia, várias delas criadas ou veiculadas pelos docentes que fazem parte do Projeto.

Por meio desta iniciativa, a Diretoria da Faculdade de Direito e a Diretoria da Fundação Arcadas buscam recuperar e preservar parte da recente memória jurídico-acadêmica nacional.

 

Diretoria da FDUSP

Celso Campilongo

Ana Elisa Bechara

 

Diretor-Executivo da Fundação Arcadas

Fernando Facury Scaff

 

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