Uma sexta-feira (29/08) de festa. A partir de agora, cada pessoa que circular pelos corredores do primeiro andar do Prédio Histórico da Faculdade de Direito da USP, em direção ao Salão Nobre ou ao Auditório Rubino de Oliveira, poderá conferir em detalhes cada uma das professoras que fizeram e fazem parte da história dessa Academia de Direito. No local, foi inaugurada a Galeria das Professores, com quadros das docentes que marcam época e a luta pelo empoderamento e equidade.
Mais do que elogios às belas fotografias – desde a primeira docente mulher no Largo São Francisco, Esther de Figueiredo Ferraz – fica registra mais uma iniciativa de pertencimento para esta Casa que ainda está distante de promover a igualdade de gênero no quadro de professoras e professoras. E o recado de que muito tem de ser feito, conforme destacou o diretor da Faculdade, Celso Campilongo.
Ladeado pelas professoras que compareceram, e uma mesa formada pela vice-reitora da USP, Maria Arminda Arruda; a vice-diretora, Ana Elisa Bechara; a ministra do Superior Tribunal Militar Elizabeth, Maria Elizabeth Rocha; pela professora Nina Ranieri, e pela presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, Julia Wong; o diretor relatou que a presença feminina na Universidade de São Paulo foi evoluindo de forma lenta ao longo do tempo.
“O enfrentamento na discriminação de gênero ganhou muito espaço na universidade e na faculdade Direito nos últimos anos. Basta que a gente pense na presença obrigatória e nas bancas da Faculdade. É um passo gradual. Assim como outro passo gradual muito importante é a galeria das professoras, que a gente inaugura neste momento”, disse.
Em seguida fez agradecimento especial às pessoas que colaboraram para tornar possível este momento. registrou em especial à Associação dos Antigos Alunos e aos doadores, bem com o projeto desenvolvido pelo arquiteto Ricardo Vasconcellos, que faleceu no início do ano.
Sobre as mudanças mais recentes, Campilongo ressaltou que, aparentemente, tem havido mais igualdade, com mais professoras, mais advogadas, mais juristas. “Por trás das políticas de gênero, muitas vezes temos os paradoxos. E temos um crescente aumento no número de alunos na Faculdade de Direito, mas nem sempre isso se traduz em igualitarismo. “Aparentemente, tenho mais igual, mas paradoxalmente, a discriminação tende a aparecer em outros instâncias e é exatamente o combate a esse tipo de paradoxo que uma galeria como esta pode nos auxiliar a um posicionamento claro e constante no sentido de eliminação de qualquer forma de discriminação de gênero”, disse. Agradeceu a professora Nina, que encabeçou o projeto todo.
Maria Arminda ressaltou que a questão de gênero na universidade merece um tratamento mais cuidadoso. Falou das pesquisas realizadas na USP e disse que na atual gestão mudou muitas coisas. “Não no sentido de uma grande transformação, mas no caminho de melhoras. De 39% de mulheres professoras que tínhamos, agora 40%”, disse
Por sua vez, a ministra Maria Elizabeth tratou o ato como um marco histórico. “Em cada rosto feminino dessa galeria, vejo não somente uma trajetória acadêmica, vejo uma história de resiliência, de resistência, de dedicação inabalável ao magistério. Sinto a força de quem abriu caminhos e a coragem de quem ousou”, avaliou.
Julia Wong destacou para que estavam no local que as alunas tenham a oportunidade de ter um quadro em uma galeria como a inaugurada. “Professoras, eu agradeço muito e, se tenho a oportunidade de estar aqui, é graças ao trabalho desenvolvidos por vocês”, disse.
Nina Ranieri ressaltou que a galeria é uma obra coletiva, em que diversas pessoas participaram. E contou que tinham várias opções para organizar a galeria, mas os organizadores optaram pela ordem cronológica de ingresso, uma vez que essa opção permite perceber o lento e gradual acesso das professoras à carreira acadêmica na Faculdade de Direito. “A Faculdade foi criada no Século XIX e o Século XIX não era propriamente das mulheres”, relatou.
De acordo com ela, “se a ordem cronológica ajuda a perceber e ordenar a memória, de outro lado, as cronologias têm um problema, porque elas são redutoras de complexidade”.
E apontou algumas pesquisas desenvolvidas, destacando que, em 1998 eram 23% de professoras e atualmente foram reduzidas a 17%.
E questionou: por que permanece baixo o número de mulheres nossos quadros docentes? Por que menos mulheres em comparação aos homens se inscrevem nos concursos docentes? Nós não temos respostas, mas temos hipóteses e alguns trabalhos desenvolvidos nesse sentido”, acrescentou.
Edição: Kaco Bovi
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