Primeira professora mulher da instituição e primeira Ministra de Estado, teve homenagem aprovada na reunião da Congregação
Primeira professora a lecionar na Faculdade de Direito da USP, Esther de Figueiredo Ferraz terá uma sala com seu nome. Para além do cuidado no ensino do Direito, a docente tem trajetória marcada pelo pioneirismo. Foi também a primeira mulher a ocupar um cargo de ministra, na pasta da Educação (MEC), e a primeira mulher na América Latina a comandar a reitoria de uma universidade (Universidade Presbiteriana Mackenzie).
A homenagem foi aprovada na reunião da Congregação de setembro (colegiado máximo da instituição), após leitura do parecer sob relatoria da professora Nina Ranieri. O encaminhamento foi feito pelo Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia.
Na sessão da Congregação, a diretora da FDUSP, professora Ana Elisa Bechara, observou que no espaço que receberá o nome “Professora Esther de Figueiredo Ferraz funcionava o antigo Departamento Feminino. A docente aproveitou para lembrar alguns méritos e compromissos que marcaram a história de Esther. Dentre as quais, um convite que a homenageada tinha recebido para o STF e declinou por ocasião de estar à frente do MEC.
A votação teve apoio dos presentes que assinalaram toda a representatividade de Esther.
A advogada e jurista Gilda Figueiredo Ferraz, sobrinha de Esther, enviou mensagem agradecendo à Congregação e ao Departamento de Direito Penal (de onde surgiu a proposta). “O sentimento de gratidão mais profundo, em meu nome e no de minha família, pela honrosa homenagem que perpetua o nome de minha saudosa tia, professora Esther de Figueiredo Ferraz, primeira mulher a integrar por concurso seu corpo docente”, escreveu.
De acordo com ela, a aprovação se reveste de significado expressivo por se tratar não apenas de atribuir um nome a um espaço físico, mas de inscrever, de maneira perene, uma trajetória de vida inteiramente devotada ao Direito, ao magistério e à cultura jurídica do País.
“A professora Esther atravessou seu tempo com pioneirismo e firmeza de quem conhecia o valor exato dos princípios que defendia, e com a delicadeza de quem jamais deixou que a exigência intelectual sepultasse a humanidade de seus gestos”, acrescentou.
No parecer, a professora Nina Ranieri escreveu: “Manifesto-me, desde logo, favorável a esta justa e devida homenagem que, embora tardia, resgata dívida da FD para com a memória da Profa. Esther, reconhecendo sua profícua carreira docente e sua consistente atuação política e institucional”.
Nascida em 1915, Esther colou grau nas Arcadas em 1944, em um período que poucas mulheres estudavam em cursos superiores. Teve também o grau em Filosofia. Foi combativa advogada junto ao Tribunal do Júri. Tornou-se livre-docente na FDUSP e passou a lecionar Direito Penal. “Foi, assim, em 1947, a primeira mulher e a precursora a integrar o corpo docente nesta casa”.
A sala foi recentemente restaurada pelos antigos alunos da Turma de 1991.
"Ao reformar esta sala e dedicá-la à memória de Esther de Figueiredo Ferraz, a Turma de 1991 celebra uma mulher que fez do ensino do Direito um caminho de conhecimento, compromisso e transformação", assinalaram
"Que esta sala, agora com seu nome, seja mais do que uma homenagem: seja um espaço permanente de memória, inspiração e reconhecimento àquela que ajudou a abrir novos caminhos para o Direito e para a educação brasileira", acrescentou Carlos José Santos da Silva, o Cajé.
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