Evento reuniu o diretor da FDUSP, Ronaldo Macedo, o professor Lucas Amato e doutorandos da FDUSP em torno da obra “O Direito na sociedade moderna”.
Um dos principais filósofos e teórico social brasileiro, professor na Universidade Harvard, Roberto Mangabeira Unger emprestou mais um pouco de seu conhecimento aos alunos da Faculdade de Direito em evento no Auditório Rubino de Oliveira. No encontro, organizado pelo professor Lucas Amato, que contou com o vice-diretor da FDUSP, o docente Ronaldo Porto Macedo Jr., e os doutorandos Felipe Rodrigues Monteiros e Leonardo Marques de Souza, Mangabeira falou de política externa, de estratégias que podem ser conduzidas pelo Brasil para o futuro e, lógico, das questões sociais que envolvem o mundo, tudo amparado no contexto de seu livro “O Direito na sociedade moderna”.
Ao abrir os trabalhos, Macedo Jr. reforçou que a publicação é um clássico, uma referência. “Não sei quantos de vocês têm a exata dimensão do quanto esse livro foi importante na formação aqui de uma geração de brasileiros, mas especialmente fora do Brasil, um livro de ampla repercussão internacional”, disse.
De acordo com ele, o professor Mangabeira teve papel essencial sobre o ensino jurídico brasileiro. “Ele é autor de uma proposta de uma nova Escola de Direito”, disse.
Em sua fala, Mangabeira criticou a atuação do Brasil que, de acordo com ele, se desindustrializou. “Assim como muitos países do mundo se desindustrializaram, o Brasil se refugiou na sua perigosa vantagem de riqueza de recursos naturais. Colocamos o navio com minério de ferro não transformado, soja não transformada. Enviamos esse navio para a China e o mesmo navio nos traz de volta todos os produtos da inteligência humana. Trocamos a riqueza difícil da inteligência pela riqueza fácil da natureza”.”
Em outro ponto, tratou da sequência de ciclos de exploração de produtos naturais e dos problemas causados pelo não crescimento do Produto Interno Bruto. Ressaltou que, para “que haja um milagre de crescimento e uma dinâmica de transformação, a maioria burguesa tem de aprender a atuar em conjunto. “Numa sociedade de classes, ela tem de ter aliadas”.”
Observou que da economia excludente insular do conhecimento resultam dois grandes males. “O primeiro é a desaceleração do crescimento econômico. O segundo é o agravamento das desigualdades econômicas”.”
Mangabeira falou do desenvolvimento de tecnologias aproveitáveis por grupos sociais que exige mais (e não menos) sofisticação tecnológica e científica do que o desenvolvimento para o interesse das grandes empresas.
Sobre a tecnologia, assinalou a necessidade de haver parceria entre o trabalhador e a máquina, não a substituição do trabalhador pela máquina.
“Qual é o objetivo último dessa evolução tecnológica? Na ideia dominante, o objetivo é dado pela ideia de inteligência artificial construir uma máquina, um computador que seja quanto mais possível um sucedâneo da mente humana, uma máquina que imite a mente humana. Mas esse não deve ser o objetivo. O objetivo deve ser construir uma máquina o mais diferente possível da mente humana. Uma máquina que tem poderes computacionais que nós, seres humanos, não temos e não podemos ter, mas que nunca substitua a mente humanda”.
Assista à transmissão completa. Reverbere: https://www.youtube.com/watch?v=k8yOgRlLgoA
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