Embaixador participou da abertura da disciplina “Direito Internacional e Governança Global”
Os temas mais polêmicos, desde os que envolvem o trabalho da diplomacia brasileira aos internacionais, foram apresentados pelo embaixador Rubens Ricupero no evento “Desafios da Ordem Global”, no Auditório Rubino de Oliveira da Faculdade de Direito da USP. A mesa foi coordenada pelos professores Alberto do Amaral Júnior, Direito Internacional da FDUSP, e Cristiane Lucena, do Instituto de Relações Internacionais da USP. Entre uma dica e outra aos estudantes, informações e comentários sobre o cenário internacional, Ricupero aproveitava para lembrar dos tempos de aluno.
Ao abrir as falas, Amaral Júnior fez a descrição do convidado, recordando que Ricupero foi embaixador em Roma e Washington, ministro do Meio Ambiente e da Fazenda e secretário-geral da organização das Nações Unidas pelo comércio e desenvolvimento.
Cristiane Lucena assinalou a alegria de receber Ricupero para a abertura da disciplina ministrada por ela e por Amaral Jr., no Programa de Pós-Graduação. “Os alunos poderão aproveitar para colher um pouco de sua experiência, sua trajetória, suas memórias, uma inspiração diária”.”
O embaixador começou sua exposição observando algumas passagens da política brasileira desde os tempos de Getulio Vargas, Juscelino Kubitscheck e outros pontos de reflexões brasileiras que avançaram politicamente. Falou também de juristas, como Fabio Konder Comparato, seu colega de turma na Faculdade de Direito da USP. “Ele (Comparato), sim, era uma grande intuição jurídica. Eu tinha interesse mais voltado para os assuntos internacionais”, ponderou.
De acordo com ele, o mundo atual ainda luta para tentar realizar, imperfeitamente, aquilo que se chamou de mecanismo de segurança coletiva, embutido na Carta das Nações Unidas. Ponderou que o momento é de certa estranheza, pois – das três superpotências mundiais (com capacidade nuclear, armas, ogivas, submarinos nucleares, bombardeios etc.), que são os EUA, Rússia e China – não deixa de ser um paradoxo de que a que tem um comportamento mais inatacável seja a China, justamente o país que era temida como um fator de desestabilização mundial. “Coisa que a China nunca foi. Desde que ela entrou no Conselho de Segurança, como detentora do poder de veto, nunca atentou contra as regras internacionais. Um contraste com as outras duas. Há alguns outros países que têm poder, mas que não têm um poder comparável a esses três. É por isso que o mecanismo de segurança coletiva continua a existir e até foi muito operacional, por exemplo, em questões como a descolonização”.”
Outro ponto relato por ele são os ataques dos Estados Unidos ao Irã. “Nós vemos uma guerra em que os próprios partidários não compreendem a lógica. É uma situação desencadeada sem uma estratégia clara, e todo conflito internacional que não tenha uma estratégia clara e factível, acaba se tornando uma armadilha”, afirmou.
Para ele, se essa guerra durar muito tempo, o dano para a economia mundial vai se tornar muito mais consequente. “O que estamos vendo o petróleo várias vezes passou dos 100 dólares. O petróleo caro desencadeia uma série de consequências, inclusive uma inflação mundial, que atinge a todos”, afirmou. “A guerra, como dia o Barão de Rio Branco, é sempre uma desgraça; que nunca se justifica. E quando alguém quer justificar uma guerra tem de pelo menos explicitar objetivos se sejam viáveis”.”
De acordo com ele, o grande problema que é o ambiental só pode ser tratado nas Nações Unidas, pela razão de ser global. “Nenhum país, individualmente, pode resolver a questão do meio ambiente, nem Estados Unidos, nem a China, nem ninguém. Todos os problemas só podem encontrar uma melhora por intermédio das Nações Unidas a corrente do Golfo é permite”, disse.
Sobre os ataques que o governo Donald tem travado internacionalmente, disse: “Estamos em fluxo. Esperamos que o poder desagregador de alguém como Trump encontre limites, quanto mais cedo melhor. Esperamos que o Brasil possa contribuir, dentro do contexto da ONU, tendo posições construtivas”.”
Ao fechar o evento, antes de abrir para os debates, Amaral Junior emendou: “Ricupero fez uma reflexão lúcida e profunda sobre os grandes desafios para a ordem internacional”.
Edição: Kaco Bovi
Assista à palestra completa. Compartilhe: https://www.youtube.com/watch?v=jNW8N5EVGXU
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