Docente Titular do Departamento de Direito Civil foi entrevistado por Eduardo Tomasevícius Filho
“Introdução ao Direito Civil”, “Código de Direito Civil – Comentado”, “Curso de Direito de Família” e tantas outras obras de Direito marcam a trajetória do professor sênior da Faculdade de Direito da USP Carlos Alberto Dabus Maluf. Referência na matéria ao longo de muitas décadas e atual jurisconsulto, o docente conta parte de sua trajetória em entrevista ao Projeto Memórias – uma parceria com a Fundação Arcadas, que busca preservar a memória institucional por meio de depoimentos de docentes sêniores.
Neste bate-papo, com o professor Eduardo Tomasevícius Filho, fala desde o tempo da graduação, formado com a Turma de 1970. Pela FDUSP é também mestre (1979), doutor (1984) e livre-docente.
Professor titular na SanFran, chefiou o Departamento (2011-2015). Na advocacia atuou e formou parcerias com outros grandes juristas. No Legislativo, participou da Comissão criada para apresentar sugestões de modificações ao Código Civil de 2002.
Dabus contou os motivos que o levaram para o Largo São Francisco, impulsionado e pelo tradicional colégio São Luís dos Jesuítas de São Paulo, escola na quais estudaram outros professores da FDUSP, como José Tavares Guerreiro e Vicente Greco.
Sobre a escolha da matéria que iria nortear toda sua vida, assinalou: “Entrei na Faculdade em 1966 e, logo nas primeiras aulas, fiquei maravilhado com o Direito Civil porque eu tive sorte de ser aluno do Silvio Rodrigues, que era um excelente professor, muito didático, claríssimo e a aula dele era o livro dele.
Falou também da preocupação de seu pai, para que ele – estudante na época da ditadura –não fosse preso pelo regime. “No terceiro ano, a coisa piorou em termos políticos, quando Costa e Silva baixou o AI5, suspendendo todos os direitos, fechou o Congresso e reação foi terrível. O Pátio foi tomado por alunos e os militares ameaçaram invadir a faculdade”, disse.
Lembrou do tempo triste em que o então diretor da Faculdade, Alfredo Buzaid foi para o Ministério da Justiça. “O editorial do Estadão, na ocasião, foi ‘Instituição em frangalhos’.”
Entre os pontos importantes da SanFran, para além dos bancos de aula, falou da importância do Centro Acadêmico XI de Agosto e do Coral. Como advogado recém-formado, disse que trabalhou e aprendeu muito com Modesto Carvalhosa. Relatou o período do trabalho na Light (agora Eletropaulo).
“No dia 11 de agosto de 1981 oficialmente eu me tornei professor da Faculdade de Direito. Quer dizer, durante sete anos eu fiquei como docente voluntário”, lembrou.
Questionado sobre sua paixão por lecionar, afirmou: “Sou um professor por vocação. É só você assistir meus vídeos”. Sobre o que gostava mais, se disse generalista. “Eu não era familista. Claro que eu tinha preferência pelo direito das coisas, todo mundo sabe disso. Tanto que a minha obra maior é direito das coisas. Eu tenho sete livros sobre direito das coisas. Mas eu dava aula sobre todo o Direito Civil”.”
Assista. Compartilhe: https://www.youtube.com/watch?v=eTeToAzmglc
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Projeto Memórias
O Projeto Memórias foi concebido em 2024 como uma parceria entre a Faculdade de Direito da USP e a Fundação Arcadas visando a preservar visualmente a história da Instituição por meio do depoimento de seus professores sêniores, que ajudaram no passado recente a alicerçar seu destaque no cenário jurídico-acadêmico, o que ocorre ao longo de quase dois séculos. O Projeto buscou também preservar certo grau de intergeracionalidade por intermédio dos entrevistadores, predominantemente docentes que hoje se encontram em plena atividade acadêmica.
O foco é conhecer melhor a relação de cada um desses docentes com a Faculdade, seja enquanto aluno, caso tenha sido, seja como professor de destaque dos cursos de Graduação e Pós-Graduação ministrados, e como gestor da Instituição, se isso tiver ocorrido. Por meio de seu depoimento busca-se identificar como era o ambiente acadêmico de sua época de aluno ou de docente, seus relacionamentos com os demais componentes da Faculdade, alunos, servidores e demais professores, e as relações pessoais daí decorrentes.
Os depoimentos dos docentes permitirão que a sociedade conheça um pouco mais da história recente desta Faculdade, que possui o destaque ímpar de ter tido dentre seus alunos 13 presidentes da República, o que é um legado à história brasileira. Além disso, muitas das teorias jurídicas disseminadas no Brasil tiveram sua gênese nesta vetusta Academia, várias delas criadas ou veiculadas pelos docentes que fazem parte do Projeto.
Por meio desta iniciativa, a Diretoria da Faculdade de Direito e a Diretoria da Fundação Arcadas buscam recuperar e preservar parte da recente memória jurídico-acadêmica nacional.
Diretoria da FDUSP
Celso Campilongo
Ana Elisa Bechara
Diretor-Executivo da Fundação Arcadas
Fernando Facury Scaff