FDUSP retrata vozes femininas que construíram e constroem a história da instituição ao longo destes 200 anos
No Mês da Mulher, a Faculdade de Direito da USP relembra as vozes femininas que construíram a sua história. Nem sempre foi assim. Foram necessários 75 anos, desde a fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil, para que uma mulher se formasse nas Arcadas.
Em 1902, Maria Augusta Saraiva se tornou a primeira mulher formada na então Faculdade do Largo São Francisco, sozinha em um espaço até então totalmente masculino. Foi também a primeira advogada do País.
Então, outras vieram. Foram quebrando as barreiras para estudar Direito.
As irmãs Maria Luiza e Maria Andréa de Oliveira são da Turma de 1909. Para além do Direito, dedicaram-se ao esporte, ganhando prêmios. Eudoxia de Castro, formou-se em 1911.
Era comum ver na lista de formatura, somente uma mulher. Foi o caso de Walkyria Moreira da Silva, turma de 1913, sendo a primeira promotora de Justiça do Paraná.
Maria Immaculada Xavier da Silveira, formada em 1925, foi a primeira advogada inscrita na OAB São Paulo. Depois de formada, ocupou a tribuna do júri no Rio de Janeiro, onde organizou uma Semana da Advogada.
Celeste Sampaio Vianna e Diva Nolfa Nazario, ambas de 1926, Ruth de Assis e Adalzira Bittencourt, de 1927, começaram a ocupar espaços onde antes não havia lugar para elas. Em 1929, formou-se Clementina Cataldi. Labiby Madi é da turma de 1931.
Em 1947, Esther de Figueiredo Ferraz se torna a primeira professora da Faculdade e, mais tarde, a primeira mulher ministra do Brasil. Georgete Nazo contribuiu para a emenda que instituiu o divórcio no país. Ivette Senise Ferreira foi a primeira diretora do Largo São Francisco. Em matérias no Direito foi pioneira ao escrever uma tese sobre o Aborto Legal, no doutoramento.
Nair Lemos Gonçalves, destacada docente de Direito do Trabalho e pioneira na academia jurídica brasileira, foi a primeira mulher a se tornar professora titular na FDUSP.
Nair também exerceu a função de vice-diretora na instituição. Contribuiu para a divulgação científica no Brasil por meio do Núcleo José Reis de Divulgação Científica da USP.
Ada Pellegrini Grinover se tornou um dos maiores nomes do Direito Processual brasileiro. Anna Candida da Cunha Ferraz foi a primeira mulher a chefiar a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo. À época, outras carreiras jurídicas estavam distantes de ter chefes mulheres.
A Professora Eunice Prudente é referência na luta pelos direitos das mulheres, das minorias e da comunidade LGBTQIA+. É primeira professora negra das Arcadas, marcando também sua luta pela igualdade. Foi secretária de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, e secretária municipal de Justiça da Cidade de São Paulo, entre diversos cargos.
A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro é uma referência da área jurídica e administrativa. Como procuradora do Estado de São Paulo, conquistou o prêmio "Procuradora do Ano".
E essa história continua...
Victória Dandara, formada pela primeira turma de cotistas, é também a primeira travesti brasileira a cursar mestrado em Harvard.
Ana Elisa Bechara, segunda diretora eleita em dois séculos, segue ampliando o espaço e a voz das mulheres no Direito. Como a dirigente diz, mais do que comemorar o passado e viver o presente, é preciso olhar para o futuro, para os próximos 200 anos, onde a igualdade será essencial para construir um País mais democrático e preocupado com o futuro de toda a sociedade.
Elas vieram primeiro, para que nenhuma outra precise vir sozinha depois.
Pesquisa de imagens 1827-1934: Ariel Engel Pesso
Edição: Kaco Bovi
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