Vice-diretora da FDUSP proferiu palestra de abertura das atividades do Departamento Jurídico XI de Agosto
A apresentação dos trabalhos exercidos pelo Departamento Jurídico XI de Agosto da Faculdade de Direito da USP, que antecede a criação da Defensoria Pública do Estado, reuniu alunas(os) e dirigentes do órgão para a palestra de abertura dos trabalhos proferida pela vice-diretora da FDUSP, professora Ana Elisa Bechara. A mesa foi composta pela Diretora presidente do DJ, Gabriela Gabriela Orem da Silva, que falou sobre as funções do Departamento; e Luciana Vieira Schinzari, secretária-geral da instituição.
“Fico muito feliz de ver essa energia. Estou no Departamento desde 2022 e a gente sabe dos desafios que é manter o DJ. E todo início de ano, com a chegada dos calouros, plantonistas, são novos ares para todos”, disse.
De acordo com ela, o DJ é muito sobre amizades, criar laços, com o foco voltado para o acesso à justiça. “E ter o DJ como precursor da defensoria pública de São Paulo é muito significativo. É um projeto que vai muito além de uma extensão universitária.
Ana Elisa contou parte de seu compromisso com o Departamento n desde aluna, estagiária e até professora. “Comecei a dar aula na faculdade, ainda quando era monitora, e todos os anos dedicava uma aula, pelo menos, para falar do DJ. Continuo fazendo isso hoje”, disse.
A vice-diretora reforçou a importância do DJ para a formação profissional. “Foi uma formação rica, não só de sensibilidade social, de desenvolvimento de raciocínio jurídico, mas também de capacidade gerencial, que me ajudou muito na minha vida profissional. No DJ, a gente trabalha a realidade da forma mais crua, a gente vive os problemas jurídicos de uma forma muito complexa. Na realidade social não tem problemas simples. Quando a gente lida com pessoas que sequer têm acesso à justiça, o problema que é trazido nunca vai estar no livro de vocês”, disse.
Quanto ao compromisso de defesa, em meio as aflições humanas, ressaltou que as pessoas sempre uniam forças, para poder superar os problemas. “Como assim essa pessoa consegue me falar tudo isso e ainda está sorrindo para mim? Eu não consigo nem entender como essa pessoa está viva e me falando isso tudo”, lembrou.
Para reforçar ainda mais o significado do que atuar no Departamento Jurídico XI de Agosto, disse nunca ter esquecido dos casos que pegou. “Trabalhei em mais de três centenas de casos, eu não esqueço nenhum. Eu tenho até hoje a minha pasta do DJ. Eu sei os nomes de todos os meus clientes. Eu sei o que aconteceu em cada um desses casos, muito mais do que os casos que eu tive depois com grandes empresários, casos midiáticos", disse, relatando um dos que mais marcaram essa experiência.
De acordo com a docente, a vivência no DJ será a grande experiência da vida para quem estagiar no local. “É aí que vocês vão encontrar quem vocês são. É aí que vocês vão descobrir o que vocês gostam, que tipo de profissionais vocês querem ser”.
Observou ainda que não existe excelência acadêmica sem aplicação concreta e que o Direito está na sua aplicação, na realidade social. “É dura essa aplicação. É duro descobrir que as coisas não são cor-de-rosa. É duro descobrir as estruturas de poder por trás das instituições, por trás das normas. E é duro descobrir o quanto a gente tem que bater em tantas portas e muitas delas permanecendo fechadas para a gente conseguir acessar a ideia do justo”, acredita.
Por fim, citou como exemplo a jurista Sylvia Steiner. “A Sylvia Steiner é uma franciscana com mais de 70 anos de idade, que é a primeira mulher juíza do Tribunal Penal Internacional. É uma franciscana monstruosa, foi juíza federal, é uma mulher poderosíssima. Ela foi estagiária do DJ. Outro dia, voltando de um evento no interior de São Paulo, ela foi me contando alguns dos casos dela. E assim como eu lembrei desse primeiro caso para vocês, ela me contou os casos com nomes, com datas, com todos os detalhes. Disse como foi importante o DJ e como moldou a juíza que ela era no Tribunal Penal Internacional. Essa é a força do DJ e a força que nos une”, afirmou.
O Departamento
O Departamento Jurídico XI de Agosto é a maior instituição particular de assistência jurídica gratuita do País. Tem representatividade em diversas esferas do Direito, nas vertentes consultiva e contenciosa. Segue cumprindo a missão para a qual foi idealizado há 100 anos: iniciar os estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco na prática da advocacia, ao mesmo tempo em que garante à população hipossuficiente da cidade de São Paulo acesso gratuito à Justiça.
Em 9 de setembro de 1919, surgiu a Assistência Judiciária Acadêmica (AJA), fruto do empenho de alguns acadêmicos da Faculdade de Direito, que desde 1912 já expressavam o sentimento de criar uma entidade que promovesse o acesso à justiça à população hipossuficiente da cidade de São Paulo. A AJA foi a primeira entidade paulista a prestar assistência judiciária aos menos favorecidos – o Estado só organizaria serviço dessa natureza em 1920, com a Lei 1.763. Seus trabalhos, contudo, somente iniciaram-se em 1926, tendo sido reestruturada em 1929. Nas décadas de 1930 e 1940, a AJA patrocinou poucas causas, mas com afinco e dedicação de jovens que lutavam por um ideal.
A transmissão do evento está no Instagram. Assista, compartilhe: https://encurtador.com.br/AzGsT
#fdusp #direitousp #djxideagosto #departamentojuridico