Professor Emérito da FDUSP, Carvalho concedeu entrevista ao Projeto Memórias, em maio deste ano, alguns meses antes de seu falecimento (15/08/2025)
Alegria e agradecimento ficaram evidentes no registro de parte da trajetória acadêmica e profissional do jurista e professor Paulo de Barros Carvalho, docente Emérito de Direito Tributário da Faculdade de Direito da USP. Pouco antes de seu falecimento (15/08/2025), ele concedeu o que seria sua última entrevista. Ao Projeto Memórias, uma parceria da Fundação Arcadas com a FDUSP, conversou com o professor Heleno Torres, chefe do Departamento de Direito Econômico, Financeiro e Tributário da SanFran.
Firme nos seus propósitos, apaixonado pelo Direito e pela magia de ensinar, Barros Carvalho falou sobre estudos e da experiência na Faculdade de Direito, acerca da concessão do título de Professor Emérito, dos grupos de estudos; e do seu olhar para o futuro.
Esteve ativo na docência, na pesquisa e focado no trabalho até os últimos momentos. Reclamou de ter de se aposentar nas aulas de Graduação da FDUSP, mesmo tendo continuado a dar aulas na Pós.
“Eu sempre tive uma admiração muito grande pela faculdade, seja por seu renome, seja pela sua participação social em termos de Brasil, em termos de movimentos políticos e estudantis”, disse.
Lembrou da insistência dos professores para que ele prestasse o concurso para professor titular, dentre os quais estava o ex-ministro Eros Roberto Grau. “Durante um jantar Eros me disse: ‘chegou a sua hora e você está recebendo uma convocação’.” E acrescentou: “Preparei minha tese, ingressei e fui muito bem recebido no departamento, me dei muito bem com os alunos, tive uma experiência agradabilíssima na USP. Pena que o tempo para chegar a aposentadoria passou rápido”.
Sobre o título ds professor Emérito, proposto por Heleno Torres, e aprovado na Congregação, ressaltou: “não é um título normal da cadeira. Equivale ao marechal no Exército. Os generais terminam a sua carreira e alguns são escolhidos para marechal”.
Reforçou o fato de a Faculdade sempre se fazer presente nos debates nacionais.
“Estive no discurso que fez o professor Celso Campilongo (contra os ataques à democracia em 2022), era um momento crucial da política brasileira e pensei comigo: ‘outras faculdades têm as suas preferências, mas nenhuma participa do processo político nacional como a USP. É uma lembrança inafastável das grandes decisões políticas’.”
Para ele, olhar alunos e professores comprometidos com o ensino, realça a previsão de um futuro grandioso, como foi o passado. “A USP tem recursos, tem nome, tem condições de continuar crescendo, se expandindo. E em termos internacionais ela é muito bem reconhecida”.
Assista. Compartilhe: https://www.youtube.com/watch?v=kG1ge0osLSw&t=153s
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