Evento foi uma das atividades do 11 de agosto, data de Criação dos Cursos Jurídicos no Brasil
Uma reparação histórica e o reconhecimento às pessoas perseguidas e mortas pela ditadura militar pautaram ato de diplomação póstuma aos antigos alunos da Faculdade de Direito da USP Arno Preis e João Leonardo da Silva Rocha, perseguidos e assinados pelo regime. O evento (11 de agosto) na Sala dos Estudantes foi seguido pelo descerramento de placa, no Pátio das Arcadas. Trata-se de um gesto simbólico da USP contra as violências cometidas no regime.
Em uma mesa composta por representantes da FDUSP, ex-ministros, advogados que lutaram contra o regime, diretores da FDUSP e do Centro Acadêmico XI de Agosto, o evento deixou claro a necessidade de não se esquecer das atrocidades cometidas pela ditadura. Os participantes também fizeram uma comparação entre o período militar e a tentativa de golpe mais recente.
A solenidade, durante as comemorações dos 198 anos da Criação dos Cursos Jurídicos no Brasil. é parte do projeto Diplomação da Resistência da Reitoria da USP em conjunto com o coletivo estudantil “Vermelhecer”.
A mesa contou os diretores da FDUSP, Celso Campilongo e Ana Elisa Bechara; José Carlos Dias (ex-ministro da Justiça), Flavio Bierrenbach (ex-ministro do Superior Tribunal Militar), Belisário dos Santos Jr. (ex-secretário de Justiça), Luiz Eduardo Greenhalgh (ex-deputado federal); Maria Arminda Arruda (vice-reitora da USP); Ana Alana (Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento); Antonio Segurado (Pró-Reitor de Graduação da USP); Julia Wong (presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto); Taís Gasparian (representante da Comissão de Direitos Humanos da USP); Paulo Vannuchi (ex-ministro dos Direitos Humanos). As apresentações iniciais foram feitas pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da USP, Gustavo Ungaro.
Maria Arminda salientou que a USP, quando acolheu esse projeto, “tinha consciência e clareza que a Universidade não podia se omitir diante da barbárie que vivemos no período da ditadura”. Anna Lana ressaltou que “uma das questões que a USP tem insistido está reiterar essas questões de reconhecimento a dimensão que esses assassinatos produziram na interrupção da educação dos estudantes”. Segurado fez um relato sobre a iniciativa que culminou com o ato e leu o documento de diplomação. “Nesse local tão simbólico passaram estudantes que lutaram pela democracia”, assinalou, lembrando da Leitura da Carta aos Brasileiros em 1977, contra a ditadura.
Belisário fez um relato dos homenageados, destacando a forma com que Arno Preis e João Leonardo foram mortos. Emocionado, ele que fez intenso trabalho em defesa dos presos e torturados na ditadura, disse: “devemos uma promessa à memoria desses colegas. A homenagem representa uma promessa, saibam que suas vidas importam muito. Nós prometemos hoje, aqui, nunca esquecer, para que a ditadura não se repita”.
Bierrenbach lembrou que foi colega de classe de Preis. “A vida passou, veio o golpe e um dia seu nome estava em todos os poste: procurado pelo DOI-Codi”.
José Carlos Dias recordou da passagem pela Comissão Nacional da Verdade. “Eu me sinto muito comprometido. Aos 86 anos imaginava poder estar descansando, mas é meu dever continuar defendendo a democracia custe o que custar”.
A advogada Taís Gasparian ressaltou a profunda emoção do momento. “Temos de agradecer a luta de Arno Preis e João Leonardo pela liberdade e pelos direitos humanos, valores que são sempre manchados pelo autoritarismo”.”
Ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, que compareceu ao evento, conheceu os estudantes homenageados na época em que integrava a Ação Libertadora Nacional. "É preciso relembrar o Brasil o que foi a ditadura militar”. Ele acrescentou a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, “que só reforça a necessidade de resgatar a memória daquele período e homenagear quem lutou contra a ditadura".
Paulo Vannuchi falou de alguns de alguns nomes mortos pela ditadura e afirmou: “uma luta que segue sendo uma luta de hoje, unindo como raramente nas últimas décadas se une à luta pela democracia e pela soberania nacional. A verdadeira luta pela liberdade.
Greenhalgh elencou aqueles que lutaram contra a ditadura, foram perseguidos e que estavam no evento, “pessoas que arriscaram suas vidas para o bem do País e por pequenas circunstâncias, que o raciocínio não esclarece estão vivas”.
Julia Wong se disse emocionada por representar a classe estudantil que tanto lutou durante a ditadura militar. Fez a leitura de algumas palavras que escreveu em homenagem a Arno Preis e João Leonardo, entre outros. Como presidente do Centro Acadêmico, a discente recebeu “simbolicamente” os diplomas que seriam destinados aos homenageados.
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