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Projeto Memórias
Projeto Memórias

Vitão, o "Rei" do Departamento Jurídico XI de Agosto e da "Peruada", conta sua história

Da infância, ao seminário, à chegada ao Departamento XI de Agosto, até se transformar no eterno Peru, os passos das caminhadas de Benedito Vitor Januário dos Santos

 

O Projeto Memórias inicia uma nova fase de preservação da história institucional da Faculdade de Direito da USP. Ao lado dos professores que contaram e continuarão a contar momentos especiais da mais antiga Academia de Direito do País, chegou a hora dos funcionários começarem a falar o que viram, ouviram e sobte suas contribuições para construir a passagem do tempo dessa instituição bicentenária.

E ninguém melhor para iniciar essa etapa do Projeto do que o famoso Vitão, o Benedito Vitor Januário dos Santos, cujo comprometimento com o Largo São Francisco soma várias décadas. A começar pelo Departamento Jurídico XI de Agosto, pioneira instituição de atendimento jurídico gratuito, em que o Benedito Santos se dedica há muitos anos. Depois, como o eterno Rei da Peruada, comandando a tradicional festa político-carnavalesca dos estudantes, dando uma renovada na performance da passeata, a partir da década de 1980.

No bate-papo com o professor Otavio Pinto e Silva (Direito do Trabalho da FDUSP), Vitão conta parte dessa história, o tempo de seminarista, o período do teatro, e à entrada no DJ XI, em 1978, por meio de um convite da advogada Alice Soares Ferreira.

“Eu vim fazer entrevista e fui recusado, mas encontrei a ‘dra. Alice’ no elevador e ela me mandou voltar, para me contratar por meio período. Comecei a trabalhar e conhecer o mundo jurídico. Era muita gente, a fila do jurídico era imensa, cheguei a cadastrar 120 pessoas em apenas um dia”, lembrou.

Recordou ainda que estagiário, à época, tinha de pagar para atuar lá. Também era cobrada uma taxa simbólica da pessoa que buscava ajuda. Quem não tinha condições nenhuma, precisava apresentar um atestado de pobreza.

“De qualquer forma, o cidadão não saía de lá sem, no mínimo, uma orientação. Além disso, como forma de aprendizado, o estagiário não podia escolher qual a causa iria atender, ele tinha de pegar as ações que aparecessem”, contou. “O jurídico abria às 8h e fechava, muitas vezes, depois das 20h. Neste período, aprendi muito e os estagiários, também”.”

Relatou que o primeiro divórcio (direto) do País foi uma ação do Departamento Jurídico (antes era o chamado desquite, em que a parte tinha de esperar dois anos para a separação de fato) e a mudança de seu nome, com a inclusão do Vitor. Também foi feita por meio de ação do DJ.

Fez uma crítica quando os estagiários recusam algumas causas. “Que estágio é esse? Aqui, na Faculdade, é o teórico, lá é o aprendizado. Um dos principais meios de aprendizado que a Faculdade oferece... “.”

Rememorou que a professora Ana Elisa Bechara (atual diretora da FDUSP) fez estágio no DJ, bem como outros docentes, como o próprio Otavio Pinto e Sérgio Salomão Shecaira. Também do período em que o Departamento não tinha dinheiro para pagá-lo. “Foi um momento que conheci muitas pessoas, e me encontrei na Peruada”.

Falou da banda do Peru que passava por todas as salas. “Invadíamos as salas. Eram vários movimentos. Teve até uma defesa de tese no Salão Nobre, que invadimos, e quiseram me proibir de entrar na Faculdade...”.”

Por fim, relatou um pouco de sua infância, o nascimento na cidade de Barretos, o seminário em Rio Claro, o teatro...

 

Assista. Compartilhe. Reverbere: https://www.youtube.com/watch?v=Xjl7aJO7yHc

 

Edição: Kaco Bovi

 

#fdusp #direitousp #assistenciajuridica #direito #peruada #cidadania #direitopenal #direitotrabalhista #direitocivil

 

 

 

Com a diretora da FDUSP, Ana Elisa Bechara, e o professor Otavio Pinto e Silva, no dia da gravação da entrevista 

 

 

 

Recebendo o carinho dos alunos na Peruada-2025

 

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