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Operações e levamentos sobre combate aos territórios dominados pelo crime foram levados ao debate em evento no Rubino de Oliveira

A construção de um país mais seguro por meio de projetos pautou as discussões entre juristas, autoridades e especialistas

 

O evento “Crime Organizado e a Exploração de Territórios - Um Balanço do Território Seguro” reuniu especialistas no tema em debates no Auditório Rubino de Oliveira. A mesa foi composta por Marta Saad, professora FDUSP; Mário Sarrubbo, ex-secretário de Segurança Pública; Leandro Piquet, coordenador da Esem-USP; David Kenyon, pesquisador da Esem-USP; e Rodney da Silva, promotor de Justiça.

Ao abrir as falas, Sarrubbo destacou que iriam tratar da operação feita à frente do Ministério da Justiça da Secretaria Nacional de Segurança Pública. De acordo com ele, o projeto Território Seguro, nasceu de um anseio por parte de um grupo de pesquisadores e dele que, depois de tanto trabalhar no combate ao crime organizado, estava inconformado com relação ao modelo de política pública no Brasil como vinha sendo aplicado em relação ao combate do crime organizado, especialmente com um olhar para os territórios dominados pelo crime organizado, pela milícia, pelo tráfico, em suas mais variadas formas de norte a sul do Brasil.

“E me envolvi na construção desse projeto de combate a esse território dominado por facção, por milícia, pelo crime, em especial na questão dos direitos humanos. Com a missão de realizar um trabalho prévio de inteligência, com foco no que sustenta o domínio territorial, que é o mercado ilícito, a força motriz que permite esse domínio, que impede o avanço do Estado. Mais do que isso, escraviza as pessoas que vivem nesse território sob o domínio de um estado chamado estado paralelo”, assinalou.

Adiante relatou a importância de promover uma transformação no dia a dia das pessoas que vivem naquele território. “Daí a importância de entendermos o asfixiamento do ciclo econômico para, a partir daí, implementar a terceira fase do projeto, que é a entrada do Estado, substituindo ao crime, seja no fomento à economia daquele território”.”

Rodney falou da construção da cidadania e dos Direitos Humanos. De acordo com ele, o desafio maior aos assumir a Secretaria de Operações Integradas de Inteligência, era estabelecer uma forma de trabalhar sem receber a pecha de ser de esquerda ou ser de direita. “Não vejo saída e solução da segurança pública sem a políticas púbicas, necessárias a esse enfrentamento”.”

Piquet relatou que há uma dificuldade de compartilhamento de dados, o que dificultou um pouco a coleta de dados. Elogiou o trabalho feito no Rio Grande do Norte. Apresentou um documento em que foram aplicadas perguntas simples, com o objetivo de construir um diálogo para medir os resultados. Lembrou que foi escolhido o bairro Felipe Camarão pelo fato de ter um grande número de homicídios.

David direcionou sua fala para a violência no Rio de Janeiro. O que, segundo ele, somente a partir de política pública e a busca de soluções simples podem ajudar a promover uma mudança eficaz. De acordo com ele, apesar de ter havido uma redução no número de homicídios nos últimos anos, ao mesmo tempo há uma expansão de territórios das organizações criminosas no Brasil. “Mais de 28 milhões de pessoas estão morando sob uma organização criminosa”, disse, apontando para as milicias do Rio de Janeiro, Comando Vermelho, Amigos dos Amigos e várias outras milícias que vivem com violência, extorsão e restrições de suas liberdades.

Ao final, Marta Saad relatou que a ideia de apresentar uma visão de quem está no dia a dia foi cumprida.

 

Assista. Compartilhe. Reverbere: https://www.youtube.com/watch?v=Oj3V-wA0EuA&t=4221s

 

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