Aprimoramento do ensino jurídico, sistema de cotas, desafios do ensino a distância, das novas tecnologias, como a inteligência artificial, a ressocialização pós-pandemia, entre outros temas, permearam bate-papo com os professores Celso Fernandes Campilongo e Oscar Vilhena Vieira, respectivamente, diretores da Faculdade de Direito da USP e da FGV-Direito, na estreia do ‘”AASP Talks”.
No programa da Associação dos Advogados de São Paulo, a visão dos dirigentes das instituições com aspectos do trabalho no setor público e no privado das duas principais instituições brasileiras e no cenário internacional.
Entre os desafios observados pelos docentes, Campilongo ressaltou que de um lado está a dimensão tecnológica. “No caso das universidades públicas (não que as privadas não possam ter este impacto também), as políticas de cotas que na USP são recentes, essa questão também provoca um enorme impacto”, afirmou. O docente acrescentou que na maior parte das universidades públicas (federais ou estaduais), se comparada com as escolas de Engenharia ou Medicina, o custo de implantação não era tão alto. “Talvez tenha sido assim até recentemente. Mas o impacto da tecnologia no ensino jurídico, nas formas de transmissão e acumulação do conhecimento transformam completamente este panorama. Se eu combinar as coisas, a necessidade de acesso à tecnologia, a necessidade de formação em escolas que estejam devidamente equipadas com a tecnologia, terei alunos que possam sair e ir para a Magistratura, para o Ministério Público, para a Advocacia, onde eu tenho um uso intensivo de tecnologia, sem ter passado com esse treinamento na Universidade”, disse.
“Isso pode criar um diapasão, uma diferença muito grande. E aquilo que antes custava muito pouco, tenho eu a impressão de que passará a custar muito caro, em termos de atualização dos professores, de equipamento para os estudantes e mudança no perfil do ensino”, adicionou.
Para Vilhena Vieira, as escolas têm o desafio de começar a focar cada vez mais na solução de problemas por meio do Direito. “´É preciso deixar de ser uma escola que tem resposta pré-pronta, para ser uma escola que se envolva e busca, junto com os economistas, com os sociólogos, com a política, construir soluções, porque o mundo passa por um período de trepidação. O Direito é um mecanismo que pode oferecer soluções racionais e pacíficas”, afirmou.
Sobre o sistema de cotas, apesar de GV não ter uma política tão ampla quanto a FDUSP, os dirigentes concordaram que a diversidade tem sido fundamental para o engrandecimento do ensino.
Os trabalhos foram conduzidos pelos advogados Eduardo Mange e Flávia Fornaciari Dórea.
Confira episódio completo. Reverbere: https://www.youtube.com/watch?v=2L2fIx4QVI0
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