As agressões cometidas às liberdades e aos direitos da pessoa humana foram elencadas em palestra da ucraniana Oleksandra Matviichuk, Prêmio Nobel da Paz (2022), no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP. Ao abrir os trabalhos, o professor Paulo Borba Casella, Direito Internacional Público da FDUSP,
Ressaltou a importância de a palestrante falar sobre “O mundo que está por vir”, tema da exposição. “Isso certamente levanta muitas questões e muitas perplexidades devido às agressões contra o direito internacional à soberania e à liberdade de países como a Ucrânia, que tem sofrido e resistido bravamente, e ao que está acontecendo em Gaza e na Cisjordânia”, disse.
Advogada de direitos humanos, Oleksandra destacou o significado de sua luta em defesa das pessoas e da dignidade humana há muitos anos. “Agora me encontro em uma situação em que a lei não funciona. As tropas russas estão devastando deliberadamente prédios residenciais, escolas, igrejas, museus e hospitais. Estão atacando corredores de evacuação. Estão torturando pessoas em campos de infiltração”, disse.
De acordo com ela, as tropas russas estão levando à força crianças ucranianas para a Rússia. “Estão banindo a língua e a cultura ucranianas, sequestrando, roubando, estuprando e matando civis nos territórios ocupados”, asseverou.
“Enquanto esta guerra transforma pessoas em números, estamos devolvendo os nomes às pessoas. É isso que nós, advogados de direitos humanos, estamos literalmente fazendo, porque as pessoas não são números e a vida de cada pessoa importa”, acrescentou.
Ao longo da palestra, contou passagens dos sofrimentos levados pela guerra, com pessoas fugindo dos bombardeios, se escondendo e tendo de derreter neve para ter água e fazer fogueiras para cozinhar um pouco de comida. “Mas quando os suprimentos acabaram, eles foram forçados a sair e, de repente, apareceram no centro da cidade russa (sequestradas)”, disse.
A convidada acrescentou que as democracias, mesmo não sendo ideais, ainda veem os direitos e as liberdades das pessoas como o valor mais alto e não há como negociá-los.
O Cônsul honorário da Ucrânia em São Paulo, Jorge Rybka, agradeceu a oportunidade pelo momento. Ele destacou os casos expostos pela Oleksandra. Quando ela diz sobre as crianças, o que nós temos, aqui, são 19 mil crianças raptadas. São crianças ucranianas que, não só pelo rapto já é uma tragédia, mas a lavagem cerebral, a mudança da identidade de quem ela é, são coisas horríveis que aconteceram e estão acontecendo”, afirmou.
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