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As principais dificuldades enfrentadas no combate ao crime organizado pautaram debates com presidente do COAF

O papel do COAF no combate ao crime organizado foi tema de discussão no Auditório Goffredo da Silva Telles Jr. da Faculdade de Direito da USP. Na ocasião estiveram reunidos o presidente do COAF, Ricardo Saadi; a vice-diretora da FDUSP, Ana Elisa Bechara, o professor Pierpaolo Cruz Bottini, coordenador do encontro por meio do Grupo de Estudos de Lavagem de Dinheiro; o procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Paulo Sérgio Costa; o desembargador do TRF-3, Nino Toldo; e a advogada Marina Brech, que falou sobre a pesquisa que está sendo desenvolvida no âmbito lavagem de dinheiro nos crimes ambientais.

 

Ao abrir os trabalhos, Bottini ressaltou que o COAF é uma instituição central na prevenção e no combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado. “É um órgão fundamental para que se possa discutir qualquer política de segurança pública no país. Hoje não podemos falar em combate ao crime organizado sem falar em Coaf”, disse.

 

Para Ana Elisa, poder discutir o papel do COAF é um orgulho para a FDUSP, principalmente pelo trabalho que vem sendo feito quando se trata de pesquisa. “Que orgulho saber que está sendo desenvolvida essa pesquisa que será apresentada na COP-30”. De acordo com ela, quando se trata de crime organizado, tem de incorporar toda a discussão em novos elementos, novas áreas, novas dinâmicas. “A criminalidade organizada preocupa e traz danos à sociedade enormes, de forma muito ampla, internacionalizada. É um objeto de preocupação por conta dos desafios que traz”, disse.

 

A docente de Direito Penal ressaltou que para debater o tema é preciso incorporar a sociedade toda nessa discussão. Como universidade púbica, tem de produzir elementos para que possa dialogar e contribuir com as instituições.

 

Saadi começou sua exposição explicando de onde e como surgiu o convite para que assumisse o comando. Dentre os quais o fato de ter assumido a função de diretor de investigação e combate ao crime organizado da polícia federal, que abriu o caminho para chegar ao COAF (órgão que já tinha sido conselheiro).

“Por que um policial federal no COAF?”, questionou. Porque todos sabemos que o crime organizado está avançando, infiltrando nas instituições do estado como um todo. O crime organizado está cada vez mais presente no Estado”, ressaltou.

 

Também fez um relato das principais dificuldades enfrentadas pelo órgão, que está sendo reestruturado. Falou do fato de ter pouca mão de obra e tecnologia defasada. “O trabalho dos colegas antes de eu chegar era um trabalho hercúleo. Imagine quando o COAF estiver estruturado, como será ainda mais efetivo”, disse, acrescentando que está sendo implantado um novo sistema.

 

Ele declarou que ultimamente, são cerca de 7,5 milhões de comunicações de operações suspeitas recebidas por ano, com poucas pessoas para fazer a análise dos dados. Reconheceu que o sistema não consegue fazer a filtragem dos dados da forma mais adequada.

 

Falar sobre esse tema é, sobretudo, falar da luta contra o crime organizado, contra a corrupção e contra o tráfico de drogas. De acordo com ele, o Brasil vive um fenômeno que vários países do mundo já viveram. “O Brasil não é um narcoestado, não é um estado terrorista, mas o Brasil tem características de um estado mafioso”, acredita.

 

Nino Toldo assinalou que é preciso entender que política de segurança pública não deve ser de nenhum governo, ela é do Estado.

 

Marina relatou o desenvolvimento do trabalho que está sendo finalizado sobre os crimes ambientais no meio ambiente. Considerando o recorte do painel. “O que a gente tem de cenário é mito preocupante”, disse. é muito relevante que a gente institua políticas que sejam pautadas em inteligência.

 

Assista no Instagram: https://encurtador.com.br/6Iqq2

 

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